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| Palácio das Artes em chamas (foto de Paulo Lacerda) |
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| Grande Teatro depois da reforma (foto divulgação) |
Quando a cidade acordou em chamas
No dia 7 de abril de 1997, Belo
Horizonte amanheceu sob o peso de uma tragédia cultural. A notícia correu como
um raio: o Grande Teatro do Palácio das Artes estava em chamas. Para quem vive
arte, memória e afeto pela cidade, não era apenas um prédio que ardia — era um
símbolo em perigo.
Hoje, pouca gente se lembra
daquele episódio. Mas eu lembro como se fosse ontem. Naquele momento eu
trabalhava na Fundação Clóvis Salgado, que administra o Palácio das Artes, como
assessor de Comunicação. Mal sabia que aquele ano testaria meus limites profissionais
e emocionais.
Um
jornalista diante de um desafio gigante
Minha trajetória no jornalismo
havia começado em 1989, na Prefeitura de Itabirito. Em 1997, eu ainda era
relativamente novo na Fundação Clóvis Salgado, recém-chegado e cheio de
expectativas. Minha missão era divulgar a vida pulsante do Palácio: os corpos
estáveis — companhia de dança, orquestra e coral lírico —, as programações do
Grande Teatro, da Sala Juvenal Dias e do Teatro João Ceschiatti, além das
galerias, do Cine Humberto Mauro e do Cefar.
Mas a realidade não era simples.
A instituição enfrentava salários baixos, excesso de trabalho e a chegada
forçada de funcionários da extinta MinasCaixa, muitos sem vínculo afetivo ou
vocação para aquele universo artístico. Era um ambiente tenso, porém vibrante.
Obras,
expectativas e o imprevisível
Pouco depois da minha chegada, o
Grande Teatro entrou em reformas para sediar o Encontro das Américas, evento
que reuniria representantes de 34 países. O governo mineiro depois transferiu o
encontro para o Minascentro.
O incêndio rompeu qualquer
previsibilidade. Até hoje não se sabe ao certo o que aconteceu: falaram em
marmita aquecida por um pedreiro; falaram em curto-circuito. A destruição foi
tão extensa que o laudo pericial não conseguiu apontar uma causa definitiva.
No olho do
furacão: a imprensa
De repente, minha sala virou
sucursal das redações. Repórteres de jornais, rádios e TVs se amontoavam ali
todos os dias, famintos por informação. Meu papel era mediar, checar fatos com
a direção e repassá-los à imprensa — tudo sob a sombra das decisões do governo
estadual, administrador do Palácio.
Foi um período de desgaste
extremo. Aos poucos, porém, o assunto foi saindo das manchetes e as obras de
reconstrução começaram.
O que o
fogo levou — e o que salvou
O incêndio devastou quase tudo.
Mais de 1.600 lugares da plateia e todo o telhado vieram abaixo. Nada sobrou.
No entanto, o palco foi
preservado graças a uma porta corta-fogo, que salvou a parte mais complexa do
teatro.
Arte
resiste: o Foyer vira palco
Com o Grande Teatro interditado,
o Foyer virou palco improvisado. Ali montaram uma estrutura e cerca de 400
cadeiras. Foi nesse espaço que a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais seguiu
tocando e que muitos espetáculos encontraram abrigo.
Foi também ali que estreei o
show “Nada será como antes — Canções do Clube da Esquina”, ao lado de
Graziela Cruz, Regina Milagres, Wagner Cosse e músicos convidados. O musical
celebrava os 25 anos do movimento mais importante da música mineira e acabou
sendo a semente de um projeto futuro, que incluiu a gravação de um disco,
turnês e encontros memoráveis com Milton Nascimento, Fernando Brant, Toninho
Horta e sua turma.
A grande
reabertura: emoção coletiva
Em 27 de julho de 1998, o
Palácio das Artes foi reinaugurado com uma apresentação do Grupo Corpo. Eu
estava lá — arrepiado, emocionado, sentindo que parte da cultura mineira
voltava a respirar.
O novo Grande Teatro estava
transformado: novas poltronas, decoração renovada e equipamentos de ponta que o
colocavam dentre os melhores do país naquela época.
Quarenta
dias de maratona cultural
Vieram então 40 dias de
programação gratuita: concertos, balés, shows e teatro. Para o público, um
presente; para nós, da Comunicação, uma maratona quase enlouquecedora.
As filas davam voltas pela
Afonso Pena. Meu setor trabalhava sem trégua divulgando cada evento. No fim, eu
estava sem voz, exausto — e quase sem sanidade mental.
Os porões,
a umidade e o corpo cobrando a conta
Durante a reforma, nossa sala
nos porões do teatro sofria com infiltrações e umidade. Ali nasceu (ou se
agravou) a rinite alérgica que carrego até hoje.
Quando finalmente tirei férias,
passei quase um mês tossindo e espirrando, como se meu corpo estivesse
expelindo todo o estresse acumulado.
Três anos
que marcaram uma vida
Fiquei no
Palácio das Artes até o final do segundo semestre de 1999. Nesses quase três
anos, conheci excelentes profissionais, alguns dos quais ainda mantenho laços
de amizade até hoje. Tive a oportunidade de assistir a ótimos espetáculos,
tanto dos corpos estáveis da Fundação quanto de artistas de projeção nacional,
como Caetano Veloso e Maria Bethânia, para citar alguns. Também convivi com
escritores, artistas plásticos, cineastas, atores, produtores culturais e
outros profissionais da área. Trabalhei em suntuosas montagens operísticas que
caracterizam aquele espaço.
Ali foi a
base de meu trabalho como assessor de imprensa na área cultural, pois conheci
os melhores e mais importantes jornalistas e veículos de comunicação.
O que veio
depois — e o que ficou
Quando me desliguei da fundação, iniciei
imediatamente a gravação do disco em homenagem ao Clube da Esquina, fruto daquele
show realizado durante o período da reconstrução. Engatei uma série de projetos
artísticos e musicais que me ajudaram a consolidar minha carreira profissional
e a entender qual era uma das minhas missões neste mundo.
Veja mais em:
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| Na foto, o presidente de Palácio das Artes, Fernando Pinheiro (gravata preta) e eu, ao fundo, durante uma coletiva para a imprensa |
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| Com Angelina, Relações Públicas, no dia de reinauguração |
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| Com Bernardo e Júnia, na sala da Comunicação |
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| Equipe da administração do Palácio das Artes: jornalistas, publicitários, relações públicas, gestores culturais e artistas |
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| Com Junia, Renata e Giovanni (óculos): equipe de Comunicação |
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| Turma reunida para a foto: trabalho, diversão e arte |



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